Palestra vai tratar da Avaliação do Ciclo de Vida de materiais na construção civil

Evento contará com a pesquisadora Luciana Alves de Oliveira, especialista em ACV do Instituto de Pesquisas Tecnológicas

O texto de abertura do Projeto Habitas pergunta: e se cada ato da construção, da concepção do projeto à execução da obra – e a posterior utilização da edificação – for uma oportunidade para impactar positivamente o ambiente e a sociedade? Uma parte dessa resposta poderá ser encontrada na palestra “Avaliação do Ciclo de Vida na Indústria da Construção Civil”, no próximo dia 24 de maio, às 16h, no ITA. A palestrante será a pesquisadora Luciana Alves de Oliveira, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Engenheira Civil pelo Centro Universitário da FEI, Mestre e Doutora em Engenharia de Construção Civil pela EPUSP, Luciana é especialista Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do IPT, tendo sido premiada no VI Congresso Brasileiro sobre Gestão do Ciclo de Vida, em Brasília, pelo trabalho “Is it relevant to include capital goods in the Life Cycle Assessment of construction products?”, escrito com a também pesquisadora do IPT Fernanda Belizario Silva.

A avaliação de ciclo de vida (ACV) é uma ferramenta desenvolvida para avaliar quantitativamente os impactos ambientais de um produto, desde o primeiro momento em que são extraídos os recursos naturais para a sua fabricação até o momento em que o produto é descartado. Os fluxos são contabilizados e depois consolidados em indicadores ambientais. Todos os processos de fabricação são mapeados a fim de saber o consumo de material, de combustível, de energia e de água, assim como as emissões de poluentes e a geração de resíduos.

Na palestra do dia 24 de maio, no ITA, a pesquisadora Luciana vai abordar desde a importância da ACV na construção civil, fazer um panorama geral comparando o Brasil com outros países, apresentar estudos de caso e quais são as perspectivas da ACV na construção civil brasileira. As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Para se inscrever basta enviar um e-mail para redevale@ita.br com o nome, instituição e telefone de contato até o dia 21 de maio.

Pesquisadora Luciana Alves de Oliveira

A palestra “Avaliação do Ciclo de Vida na Indústria da Construção Civil” vai acontecer no dia 24 de maio, às 16h, na Sala F3-102, do novo prédio de Fundamentais do ITA.

A palestra é uma iniciativa do Projeto Habitas, coordenado pelo professor Wilson Cabral e criado a partir da comunidade acadêmica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto tem como finalidade contribuir para uma melhor compreensão de técnicas, métodos e tecnologias sustentáveis no âmbito da administração pública, estabelecendo um novo sistema a ser adotado nas reformas e novos projetos de edificações.

O evento acontece em paralelo ao Engineering Education for the Future – EEF 2019, que vai debater o futuro do ensino em engenharia. Palestras como essa fazem parte de uma das metas do EEF, que é produzir iniciativas para além do evento em si, que tenham um potencial impacto no ensino e na sociedade.

Minicurso pretende revitalizar programa de aconselhamento no ITA

Evento paralelo ao EEF 2019 será ministrado pelas professoras Cristiane Lacaz (DAE/ITA) e Isabel Gonçalves (IST de Lisboa)

Personalizar a relação professor e aluno, identificar dificuldades que não são facilmente perceptíveis apenas durante as aulas, ampliar o potencial de visão do docente sobre os caminhos escolhidos pelos estudantes, conter ansiedade, motivar, diagnosticar potencialidades, auxiliar no percurso na graduação e no posterior destino ao mercado. Um dos sinônimos de tutoria é “amparo”. E preparar o futuro profissional de forma mais personalizada é uma das principais marcas do novo ensino em engenharia.

Para amplificar esse processo de aprendizado, a Professora Cristiane Lacaz (DAE/PROGRAD/ITA) e a Professora Isabel Cristina Gonçalves, Coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Acadêmico (NDA) do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa, oferecerão o minicurso “Contribuições para revitalização do aconselhamento no ITA: O Programa de Tutorado no IST” no próximo dia 22 de maio. “Será um evento muito interessante que nos trará importantes subsídios e reflexões, ajudando em uma eventual reformulação do modelo de aconselhamento praticado no ITA”, explica a professora Cristiane Lacaz.

Premiado na Europa, o “Programa de Tutorado” existe no IST desde 2003, tendo sido pioneiro em Portugal no desenvolvimento e implementação de atividades de tutoria adaptadas à realidade do ensino superior local. A qualidade do trabalho desenvolvido pelo “Programa de Tutorado” foi reconhecida em 2013 pelo European Observatory On Good Practices In Strategic University Management, como uma boa prática no contexto universitário europeu.

Já a Divisão de Assuntos Estudantis – DAE do ITA, chefiada pela professora Cristiane Lacaz, tem como objetivo auxiliar o desenvolvimento do aluno e fornecer suporte à vida acadêmica. Esse mini-curso vem ao encontro de uma meta importante do Engineering Education for the Future 2019, que é produzir iniciativas para além do evento em si, que tenham um potencial impacto de longo prazo para a melhoria da qualidade doensino no ITA – e, também, em outras academias.

Os participantes que concluírem com sucesso o mini-curso “Contribuições para revitalização do aconselhamento no ITA: O Programa de Tutorado no IST” receberão um certificado, emitido conjuntamente pelo ITA e pelo IST. São somente 25 vagas para o curso e é preciso requisitar sua inscrição pelo e-mail sec.ig@ita.br.

A professora Isabel Gonçalves também terá um painel sobre tutoria na educação em engenharia durante o Fórum de Educação do EEF 2019. Sua palestra será no dia 24 de maio, às 16h30.

Pesquisas no Brasil procuram se reinventar

Para Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pesquisa do ITA, sistema de financiamento da pós-graduação está saturado. Instituto vai apresentar alternativas e debater o ensino de engenharia durante a Mostra Tecnológica do EEF 2019

Em geral, as pesquisas desenvolvidas por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos são financiadas com recursos de agências estaduais e federais de fomento, via bolsas de estudos e apoio a projetos científicos. Os dois principais órgãos federais de fomento à produção científica nacional são o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ambos atuam com orçamento enxuto para atender toda a demanda nacional. “Nosso sistema de financiamento de pós-graduação está saturado. E a competição é muito grande hoje. Você abre um edital universal hoje, para financiar uma pesquisa de 30, 50 mil reais, tem uma concorrência enorme. Se a competição é grande para os recursos disponíveis, você tem de buscar de várias fontes”, explica o professor Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pós-Graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.

Projetos que oferecem alternativas de financiamentos capazes de manter a pesquisa científica funcionando sem depender tanto de sistemas como Capes e CNPq e que aproximem o pesquisador da indústria estão no cerne dos programas de pós-graduação do ITA que serão apresentados na Mostra Tecnológica do Engineering Education for the Future – EEF 2019, que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de maio no ITA, em São José dos Campos, interior de São Paulo. “A nossa ação de doutorado acadêmico dentro da empresa se comunica totalmente com esse momento que estamos vivendo. É um doutorado voltado para gargalos tecnológicos da indústria. É um projeto piloto do CNPq, algumas empresas já aderiram a esse novo modelo, são 10 projetos por enquanto, vamos abrir uma segunda chamada. A indústria tem demandas de pesquisa. Com esse nosso programa, a empresa complementa a bolsa dos alunos, que tem uma orientação conjunta de um professor do ITA e um supervisor da empresa, para resolver um assunto proposto pelo próprio mercado. Uma forma de a empresa financiar a pós-graduação e os nossos alunos estarem mais próximos de assuntos de impacto no setor produtivo”, apresenta Lacava.

A aproximação de profissionais ultraqualificados, como doutores, mestrandos e a indústria é um dos principais pontos de debate para os novos rumos do ensino de engenharia no Brasil. E só podemos classificar algo como inovação, quando essa ideia se transforma em tecnologia, algo prático que pode ser usado pela sociedade. “A pós-graduação ficou muito tempo formando pessoal para ela mesma. Ela forma mestres, doutores, que ficam dentro das universidades, dos institutos de pesquisa. Isso foi importante para o país, porque criou uma cultura de mestrado, doutorado, pesquisa, mas para isso gerar impacto para a sociedade, é preciso ter essas pessoas que estão se qualificando, também, junto às empresas. Este é o objetivo que visamos atingir. E é dessa forma que pretendemos contribuir com o desenvolvimento tecnológico do país, porque a inovação vai acontecer dentro da empresa. Se pegarmos um país que é forte em inovação, vou citar um clichê, mas dá para ver como o Brasil pode chegar lá: a Coréia do Sul. A Coréia forma o mesmo número de doutores que o Brasil, mas 85% desses doutores vão para as empresas. No Brasil é o contrário, menos de 15% desses doutores vão para o mercado. Não é só o engenheiro que deve ir para a indústria. O mestre, um doutor também precisam ir. Só assim vamos conseguir produzir em massa produtos de alto valor agregado”, exemplifica o professor Pedro Lacava.

Professor Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pós Graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)

Para desenvolver esse programa de doutorado nas empresas, algumas resistências tiveram que ser derrubadas. Foi preciso alterar culturas, como fazer a indústria perceber que ela não estava apenas liberando seu funcionário para se especializar, mas o intuito deste profissional adquirir conhecimento e atuar em um problema concreto. Além de o custo-benefício de se investir no desenvolvimento de profissionais, frente a financiar uma pesquisa completa. Outra resistência estava dentro da academia. “Precisamos mostrar que essa relação com a indústria não faz com que você pesquisador, professor, esteja abdicando de fazer ciência. O paper que eu tenho mais citação foi feito dentro da indústria. Uma coisa não esta se opondo a outra”, lembra Lacava.

É preciso saber buscar recurso nas agências de fomento, assim como saber buscar o recurso no setor produtivo. As pesquisas aplicadas precisam se apresentar de maneira atrativa, para motivar o financiamento. É necessário demonstrar a capacidade de impacto para poder buscar esse investimento privado. “Hoje o docente precisa ser três coisas: um bom professor; tem que ser um cientista, um pesquisador, saber como conduzir um projeto; e, por fim, tem que ser um empreendedor. Tem que buscar recurso”, completa o professor.

Além do projeto de doutorado dentro das empresas, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação do ITA também vai expor na Mostra Tecnológica – EEF 2019 detalhes sobre outros projetos, como o Programa Capes-Print, que pretende fortalecer o relacionamento de instituições de ensino e pesquisa brasileiras com instituições similares no exterior que apresentem relevante impacto internacional em pós-graduação e pesquisa. O ITA conta com 14 projetos no programa, que promove o intercâmbio internacional entre professores e alunos. O Capes-Print começou esse ano, 2019, e segue até 2022.

Iniciativas de apoio aos professores e pesquisadores também serão apresentadas na Mostra. Chamadas para projetos, com novos professores que ainda não estão credenciados na pós-graduação, para que tenham a possibilidade de co-orientar trabalhos. Também serão apresentadas maneiras de como o professor recém-chegado poderia atuar como orientador de projetos. “Essa foi uma maneira, também, de integrar a comunidade de professores”, diz Lacava.

Conexões entre as disciplinas é o principal signo da Mostra Tecnológica do EEF 2019. Professor Pedro Lacava ressalta essa intersecção. “Quando você tem a possibilidade de ver o que os outros estão fazendo e de expor seus projetos para os demais, geralmente nascem boas ideias. Às vezes, ficamos fechados em nosso dia-a-dia, em nossas pesquisas. Em eventos como esse, temos a oportunidade de trocar impressões com outros colegas que, por vezes, estão próximos e não compartilhamos as experiências”, diz.

A meta da Mostra – e do EEF – é justamente ajudar a TRANSFORMAR esses paradigmas. Afinal, os problemas atuais da engenharia são multidisciplinares. Não são problemas segmentados da engenharia aeronáutica, eletrônica ou civil. Para resolver, é preciso ter pessoas de diferentes formações dialogando. Esse é o objetivo central do Engineering Education for the Future, que irá debater a educação em engenharia no Brasil e, além da Mostra, vai contar com um grande fórum de debates e competições. Veja a programação completa no site www.eef.ita.br e se inscreva gratuitamente.

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Projeto de metodologia ativa do ITA mira modernização do ensino

Programa piloto do Departamento de Mecânica estreita o relacionamento dos alunos com a prática e o mercado de trabalho

“O projeto surgiu de uma demanda, de fazer a revitalização de uma oficina que tem dentro do ITA, que conta com equipamentos que existem desde a concepção do ITA. Mas, a gente percebeu que era uma oportunidade maior do que mexer apenas em infraestrutura. Mais do que os equipamentos, atualizar a maneira de trabalhar o ensino dentro daquela oficina. Identificar quais são os métodos que estão mais associados a essa geração atual, que não consegue se concentrar por mais de sete minutos”, explica o professor Ronnie Rego, do Centro de Competência em Manufatura – CCM.

Nos debates sobre a necessidade de modernização dos cursos de Engenharia no Brasil, alguns tópicos que sempre são levantados passam pela necessidade de uma educação mais prática e próxima do ambiente profissional, principalmente através dos métodos de ensino baseados em projetos, capazes de estreitar a relação do aluno com o mercado de trabalho e, também, renovar sua conexão com a profissão. Tentando resolver esse problema e apresentar uma sugestão de modernização do ensino, o Divisão de Engenharia Mecânica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – o ITA – criou um projeto de Metodologia Ativa. Para preparar um profissional para a Indústria 4.0 somente com uma Educação 4.0.

Viabilizado pelo ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA), o projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica utiliza o processo de aprendizagem baseado em problemas, project based learning (PBL), que tem como propósito fazer com que os estudantes aprendam através da resolução colaborativa de desafios. Esse tipo de desafio incentiva a habilidade de investigar, refletir e criar perante a uma situação – e utilizando o equipamento disponível na oficina do ITA. “O aluno não pode ir lá mexer no torno por mexer no torno, apenas. Ele precisa ter um desafio associado. É o aluno comprar um problema e resolver via usando o torno, a fresadora e a furadeira – mas o equipamento é somente habilitador, o que conta aqui é a filosofia. Em um espaço de um mês, ele encara o problema, vê teoria, vai para a sala de aula motivado, porque sabe que tem esse desafio para resolver. Que pode ser um problema da vida real. E não só na sala de aula, mas em contato direto com a sociedade”, completa o professor Ronnie.

Professor Ronnie Rego: “Esse é um projeto piloto que pode engendrar uma proposição de mudança

Esse contato direto com a sociedade proposto no projeto, claro, ultrapassa as salas de aula ou a oficina do ITA. Para a semana de exames finais, por exemplo, será promovido um hackathon, onde especialistas de uma grande empresa brasileira lançarão desafios para que os alunos resolvam em 12 horas. Ao final, a evolução desses alunos na resolução do problema será avaliada por essa banca de profissionais. Metodologia ativa, prática e atuação próxima com o mercado: itens fundamentais para a formação do engenheiro 4.0 reunidos em uma grande atividade.   

“Esse é um projeto piloto que pode engendrar a proposição de um plano de mudança. O fim desse projeto é a mudança. E uma parte é a metodologia ativa em aula. A outra parte é uma interface entre as aulas”, conta professor Ronnie. Intersecção entre disciplinas é outro signo importante na transformação do ensino em Engenharia. Por isso, o projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica é uma criação conjunta, desenvolvida por 14 professores.  “Não queremos utilizar a oficina somente para a fabricação, mas criar uma oficina de fabricação que avalia os conhecimentos de diversas disciplinas. Termodinâmica, por exemplo, é um fenômeno natural do processo de fabricação. Nós temos uma disciplina de vibrações. Quando eu vou fresar uma peça, gero uma porção de vibrações. Quais são os sensores sobre o equipamento que devem existir, para que aquela oficina sirva para fazer experimentos transversais na emenda? Por isso, as atividades ou os desafios propostos podem dar notas para duas ou mais disciplinas”, avalia Ronnie.

Está nos planos do professor Ronnie Rego entrevistar todos os professores da Mecânica e descobrir como eles trabalhariam com metodologias ativas e como seria possível que as disciplinas deles se conectem com a Manufatura. Com esse mapa de conexões que será traçado após essas conversas, o plano de revitalização da oficina será desenhado. E como utilizar essa estrutura para aplicar desafios que preparem os alunos para atender as demandas atuais da indústria.

Até o momento, as partes já envolvidas no projeto de Metodologia Ativa aprovaram a iniciativa. “A ideia foi muito bem recebida pelos alunos e pelos professores. O pessoal está empolgado, sugerindo ideias, isso é muito bom. Também é ótimo para as empresas que têm uma visão de longo prazo. Essa empresa sabe que, se eu levar um aluno daqui para fazer um processo de imersão, por exemplo, sempre que esse aluno pensar em um projeto que tiver a ver com aquela empresa, durante toda a vida, vai lembrar daquela imersão e daquela empresa. E essa força de imagem é muito importante, porque esses alunos de hoje são os futuros tomadores de decisão da nossa profissão”, reforça o professor.

E é justamente a integração de diversas áreas do conhecimento que norteia a Mostra Tecnológica do EEF 2019 – Engineering Education for the Future, que acontecerá nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio no ITA, em São José dos Campos.

A proposição de diálogos entre disciplinas e institutos de pesquisa são conceitos caros aos curadores da Mostra e preceitos importantes para a modernização do ensino da Engenharia. O projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica, claro, estará presente, mirando o futuro da profissão.

Por que um fórum de Engenharia?

Um mundo em constante mudança. O indivíduo, a tecnologia, tudo se transformando em velocidades cada vez maiores. E qual será o papel do engenheiro diante dessa realidade mutante, que já criou novos conceitos antes mesmo de se chegar ao fim desta frase? Como prezar pela excelência do ensino em Engenharia e acompanhar as evoluções do planeta, da sociedade? E, dentro desse cenário, formar não somente um grande profissional, mas principalmente, um cidadão? Muitas perguntas? Pois é exatamente isso que buscamos com o EEF 2019 – Engineering Education for the Future, que será realizado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio.

“O EEF quer fazer perguntas. E a academia precisa aprender a ouvir, para entender esses novos signos modernos e buscar respostas capazes de nortear o papel do Engenheiro como profissional nesses tempos de mudanças constantes”, conta João Seffrin, membro do ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA) e um dos coordenadores do evento. Para desenvolver essas perguntas, o EEF vai contar com profissionais nacionais e estrangeiros, especialistas do ITA e de outros centros acadêmicos, institutos de pesquisa e agências de fomento.

Engenharia e tecnologia sempre precisaram caminhar juntas – o desenvolvimento de uma ciência, necessita do apoio da outra. Mas será que os modelos de aprendizado escolar estão acompanhando essas evoluções no mesmo passo? O professor de Engenharia de hoje precisa enfrentar vários desafios. Aliar os princípios clássicos da Engenharia às inovações atuais. Ter capacidade de aproximar cada vez mais a teoria da prática. Conseguir extrapolar aplicações que não estavam, necessariamente, ligadas à atividade inicial – pensar alguns passos à frente. E, junto com todo esse malabarismo, conseguir despertar no aluno habilidades não ligadas à tecnologia, como a capacidade de estruturar e liderar um grupo, entender e desempenhar seu papel colaborativo em determinado projeto, definir estratégias e planejar ações. Em resumo: a formação do indivíduo.

Essas questões não atingem somente o Instituto Tecnológico de Aeronáutica ou apenas as escolas brasileiras – é uma busca mundial. Reino Unido e Austrália, por exemplo, sofrem com a evasão de jovens estudantes antes mesmo do segundo ano. Existe um plano, na Inglaterra, para acrescentar alguns pilares da Engenharia já no ensino médio, para que o estudante conheça um pouco mais sobre a profissão antes de ingressar na faculdade. Estudar engenharia é encontrar soluções práticas para problemas mundiais, de componentes para smartphones até mudanças climáticas, e apresentar esses conceitos o quanto antes para os jovens que querem mudar o futuro é um dos objetivos dos britânicos. Sabendo da urgência de encontrar esses caminhos também por aqui, o ITA levanta o debate no Brasil com o EEF 2019.  

“O papel do engenheiro é fundamental para o desenvolvimento econômico e, principalmente, social, do país. Precisamos buscar maneiras de conseguir indicar caminhos e ferramentas para que o profissional formado consiga transformar toda essa tecnologia e conhecimento em PIB”, completa Seffrin.

O professor de Engenharia está na linha frente desse novo mundo e sua atuação será fundamental para o desenvolvimento desse profissional importante na economia mundial. O orientador será responsável por aliar conhecimento, educação, inovação e ainda formar um indivíduo. Como realizar essa missão com excelência? Se pergunte e nos pergunte: perguntar! Olhar para o futuro e perguntar. A busca é o que move o EEF. A busca por idéias que possam se tornar iniciativas concretas. A busca pela excelência na educação do Engenheiro, seja em 2019, seja em 2030: o EEF é apenas o primeiro ato.

No EEF, nova Escola Móvel do Senai vai desvendar a Indústria 4.0

Empresas inteligentes, capazes de utilizar todo o conjunto de tecnologias que, integradas, se beneficiam do melhor que a fusão entre os mundos virtual e físico podem apresentar. Profissionais com o perfil inovador e empreendedor. Máquinas e humanos trabalhando de forma colaborativa. Criatividade, inovação e especialização: conceitos que aplicados no setor industrial, transformam a forma de produzir. Essa é a Indústria 4.0, já considerada a quarta revolução industrial.

Para entender mais sobre essa revolução, durante o Engineering Education for the Future 2019, encontro promovido pelo ITA nos dias 23, 24 e 25 de maio, os participantes poderão visitar a mais nova Escola Móvel Senai para a Indústria 4.0. Através dela, os visitantes poderão entrar em contato com as mais importantes tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, tais como a Inteligência Artificial, Realidade Aumentada, Realidade Virtual, Técnicas de Manufatura Aditiva, Robótica Avançada, Sensoriamento, Análise de dados, Internet das coisas (IoT) e Computação em Nuvem.

Para atender as demandas da indústria 4.0 por esse profissional altamente qualificado, o ensino da Engenharia com excelência precisa ser debatido. Uma visita a essa nova Escola Móvel do Senai, uma das atrações do EEF, poderá ser uma ferramenta importante para o despertar de novas idéias.