Primeira edição do EEF 2019 reúne centenas de professores, pesquisadores e estudantes

Em maio, aconteceu a primeira edição do “Engineering Education for the Future – EEF 2019”, evento realizado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com o apoio da ITAEx, e contou com cerca de 1300 participantes. Dividido entre fórum com palestrantes nacionais e internacionais, competições de inovação e mostra com os principais projetos desenvolvidos pelo Instituto, o EEF recebeu pesquisadores, professores, representantes da indústria, alunos de diversos Estados brasileiros, como Rio Grande do Sul, Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, além de São Paulo. Da Universidade de Campinas (UNICAMP) vieram 15, e somente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) outros 18, apenas para citarmos dois exemplos de grupos que se dirigiram ao campus do DCTA em São José dos Campos interessados no evento.

Essa grande adesão acontece pela importância do tema no que se refere a um processo de modernização no ensino de engenharia e, também, o local o ITA, referência na excelência desse ensino. Os debates necessários para essa época com demandas tecnológicas enormes, e em constante transformação, aconteceram a todo instante, em diversos formatos.

Fórum – Luís Carlos Affonso, VP de estratégia e inovação da Embraer, iniciou o primeiro dia de palestras apontando que dominar temas como automação, ciência de dados, cibersegurança e mobilidade urbana deve ser uma das prioridades na formação universitária. Na sequência, José Carlos de Souza Jr., reitor do Instituto Mauá de Tecnologia apresentou ações necessárias para garantir a renovação dessas inovações no ensino.  Já Xavier Fouger, diretor sênior da empresa de software de design em 3D Dassault Systèmes, reforçou que academia e indústria precisam colaborar cada vez mais.

Essa proximidade também foi defendida na fala de Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. Para Costin, é fundamental inovar em infraestrutura e capacitação de profissionais para que o Brasil se aproxime da indústria 4.0 e integrar universidades e empresas é um dos caminhos. E Costin vai além: “será fundamental que a educação básica receba mais atenção para o país conseguir inovar”.

Uma das atrações mais concorridas foi a mesa-redonda “Parcerias, financiamento e linhas de fomento voltados para a inovação na educação de engenharia”,  que reuniu o Prof. Dr. Carlos Pacheco (Diretor-Presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP),  o Brigadeiro Engenheiro Luiz Sérgio Heinzelmann (Presidente, Conselho Diretor da Fundação Casimiro Montenegro Filho), a socióloga Idenilza Moreira de Miranda (Especialista de Desenvolvimento Industrial do IEL/CNI) e Prof. Dr. Jefferson de Oliveira Gomes (Presidente do IPT-SP; Prof. ITA), tendo como mediador o professor Domingos Rade (Prof. ITA).

No debate, Zil Miranda, ressaltou que há entraves sérios para que a interação academia/indústria ocorra. “Muito se fala sobre as parcerias entre universidades e empresas serem fracas. Elas muitas vezes são difíceis”, afirmou. Para o Brigadeiro Luiz Sérgio Heinzelmann, é necessário explorar novas formas de abordar as empresas. Ele cita como exemplo a formação de uma rede de ex-alunos, caso da ITAEx, que, por estarem inseridos no mercado e nas empresas, podem ajudar a atrair interesse das companhias para as oportunidades de parceria com a academia. Carlos Américo Pacheco alertou para o aperfeiçoamento do espírito empreendedor da academia para apresentar projetos viáveis economicamente. Jefferson Gomes chamou atenção para os investimentos e, principalmente, para uma complementaridade do setor privado ao orçamento público.

Com muita simpatia e apresentando cases difíceis e curiosos, a professora Isabel Gonçalves, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, encerrou o segundo dia com humor, leveza e inspiração para a maneira de ser um tutor na educação em engenharia nesse mundo 4.0. O sábado consagrou a pluralidade e abrangência de temas na organização do EEF ao iniciar com a fala do aluno Daniel Frageri sobre a percepção dos alunos em relação à necessidade de mudanças, e terminar com o professor Amitava Mitra, do MIT, referência mundial em excelência no ensino. Frageri apontou a necessidade de maior diálogo entre veteranos, calouros e professores. Mitra apresentou, para uma plateia hipnotizada, o cenário atual em que vivemos e caminhos encontrados pelo MIT para conseguir entender com quais ferramentas engajar alunos e docentes em atividades capazes de atender as novas demandas.

Destaque também para a interação dos participantes durante as palestras. Em todas elas, os espectadores apresentaram questões pertinentes sobre os assuntos apresentados que alargaram ainda mais as fronteiras dos pensamentos debatidos.

Incentivo – Durante o EEF 2019, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) anunciou uma parceria com o ITA e FAPESP para oferecer aos alunos e pesquisadores mais informação sobre o processo de aplicação e obtenção de patentes. O presidente do INPI, Cláudio Vilar Furtado, afirmou que a aproximação com instituições como ITA e Fapesp tem sido uma das prioridades do instituto.

Mostra – Calçada na essência da palavra Iandê, que do tupi-guarani significa “nós”, a mostra tecnológica conectou as pesquisas do ITA e dos institutos do DCTA em conceitos e intersecções. Relembrou clássicas pesquisas da história do ITA e apresentou para indústria, sociedade, alunos, professores, novas ideias para o futuro. No sábado, diversos participantes levaram seus filhos e os estandes ficaram cheios de apaixonados por ciência e inovação de todas as idades.

Competições – Três competições ocorreram durante o EEF 2019. A 3D Competition proporcionou uma ambientação com as necessidades da Indústria 4.0, através da plataforma 3D Experience da Dassault Systèms, sistema que integra processos de negócios e de desenvolvimento de produtos em um ambiente digital. Alunos desenvolveram uma cadeira de rodas para a Uber, um projeto inovador para uma demanda real da sociedade – ação essencial na reforma do ensino de engenharia. O Data Science Challenge reuniu alunos de graduação e pós-graduação do ITA e UNIFESP em busca de soluções para um problema de predição com o uso de dados reais, através da exploração do conhecimento em Ciência de Dados e Aprendizado de Máquina, com o uso da plataforma online Kaggle.

Disputadíssimo, o Grand Prix de Inovação formou cinco equipes multidisciplinares, com sete alunos cada, vindos de escolas como ESPM, UNESP, UNIFESP, HUMANITAS e o ITA, para apresentar soluções para os principais problemas enfrentados pela população mais idosa do país – uma justa e real preocupação da indústria e da sociedade. Durante 40 horas, os estudantes enfrentaram o sono e apresentaram projetos reais e interessantes, deixando o júri em dúvida quanto ao vencedor até o último segundo.

Fonte: http://www.ita.br/noticias236

Novas diretrizes para o ensino em engenharia serão debatidas no EEF 2019

Palestrantes nacionais e internacionais apresentarão novos modelos de aprendizado

No fim de abril as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso de graduação em Engenharia, foram fixadas e homologadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Foram dois anos de debates entre várias instituições, para definir o que era preciso mudar no currículo dos cursos, para tornar a graduação mais prática e interdisciplinar. Atualizar os métodos de ensino para que o profissional esteja, por mais difícil que seja prever, preparado para resolver o novo.

Diversos caminhos adotados pelas DCNs serão debatidos no Engineering Education for the Future – EEF 2019, grande evento que acontecerá no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, interior de São Paulo, nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio. Por exemplo, dentro do fórum de debates que acontecerá dentro do EEF, com a presença de palestrantes nacionais e internacionais, ações de inovação no ensino aparecerão tanto em falas de profissionais como o Professor Doutor José Carlos de Souza Jr., Reitor do Centro Universitário Instituto Mauá de Tecnologia como no engenheiro francês Xavier Fouger, diretor da Dassault Systèmes, aproximando essas inovações educacionais da indústria. Referência tradicional em excelência no seu ensino em engenharia, o ITA se posiciona na linha de frente da modernização do currículo nacional através das nova DCNs.

Preocupado em reunir todos os agentes dessa transformação, por exemplo, em um mesmo dia o EEF se inicia com uma palestra do estudante de engenharia Daniel Frageri que vai apresentar o que inovar na educação em engenharia sob a perspectiva do corpo discente da escola e termina com o Prof. Dr. Amitava Mitra, New Engineering Education Transformation da Massachusetts Institute of Technology, o MIT, uma das principais referências quando se fala em inovações no ensino em engenharia.

“Penso que o EEF seria importante a qualquer momento como meio de reflexão. Mas neste momento, de fato ganha maior relevância, já que esperamos que seja um iniciador de atividades de reforma de Ensino consoantes com as novas DCNs. Em particular, o Fórum permitirá que conheçamos experiências e demandas em vários níveis, desde as expectativas do mercado, passando pela gestão educacional, metodologias de Ensino e ações institucionais de formação, acolhimento e capacitação. Um espectro diversificado que contempla integralmente o que é definido nas novas diretrizes como fundamentos da formação do novo engenheiro. Temos, portanto, uma expectativa muito alta, e que imagino ser a mesma das outras instituições que participarão do evento”, diz o professor Carlos Henrique Costa Ribeiro, Vice-Reitor do ITA e Chairman do EEF.

Com as novas DCNs, as instituições terão mais autonomia para trabalhar conteúdos que acompanhem as novas tendências tecnológicas e as contemporâneas demandas da sociedade, sem abrir mão da formação básica sólida. Pretende-se, com as novas diretrizes, que as instituições formem profissionais alinhados com o perfil de seu projeto pedagógico. E que além de conteúdos, a academia também trabalhe as competências emocionais dos alunos. Afinal, os formandos deverão estar aptos para “analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação”, como diz o texto homologado pelo Conselho Nacional de Educação.

“Muitos dos elementos mais visíveis das novas diretrizes reforçam pontos já presentes nas diretrizes anteriores, como a integração disciplinar e a formação mais voltada para a prática da Engenharia, com diversificação das experiências de aprendizado. Embora estes pontos sejam os mais visíveis e certamente muito importantes, entendo que os aspectos  que realmente podem melhorar de modo consistente a qualidade da formação são a ênfase no papel executivo do projeto pedagógico como um instrumento efetivo de supervisão e controle da gestão educacional, e a referência explícita a valorização da formação docente e a políticas de acolhimento ao discente. Com uma gestão adequada, reconhecimento mais efetivo do papel do docente e acompanhamento do aluno, os outros aspectos das diretrizes são satisfeitos de forma quase natural em uma escola dinâmica como o ITA, que continuamente rediscute seu currículo” diz o professor Carlos Henrique.

Professor Carlos Henrique Costa Ribeiro, Vice-Reitor do ITA e Chairman do EEF 2019

As novas diretrizes também abrem espaço para iniciativas inovadoras como, por exemplo, colocar em prática conteúdos de uma disciplina em projetos e atividades de outras matérias, além da aplicação mais regular de iniciativas como Project Based Learning, onde conceitos são passados através de um projeto real, técnica sempre estimulante, onde os universitários precisamos propor soluções inteligentes para os problemas – além de desenvolver a capacidade de implementar, supervisionar e controlar essas soluções.

Projetos nesse sentido já existem no ITA. É o caso, por exemplo, do projeto de Metodologia Ativa da Divisão de Engenharia Mecânica, que tem como propósito fazer com que os estudantes aprendam através da resolução colaborativa de desafios, que incentiva a habilidade de investigar, refletir e criar perante a uma situação – e utilizando o equipamento disponível na oficina do ITA. “O aluno não pode ir lá mexer no torno por mexer no torno, apenas. Ele precisa ter um desafio associado. É o aluno comprar um problema e resolver via usando o torno, a fresadora e a furadeira – mas o equipamento é somente habilitador, o que conta aqui é a filosofia. Em um espaço de um mês, ele encara o problema, vê teoria, vai para a sala de aula motivado, porque sabe que tem esse desafio para resolver. Que pode ser um problema da vida real. E não só na sala de aula, mas em contato direto com a sociedade”, explica o professor Ronnie Rego.

Professor Ronnie Rego, da Divisão de Engenharia Mecânica do ITA

“O ITA sempre procurou definir suas atividades de Ensino em função de um modelo que em sua origem já adiantava alguns elementos das diretrizes curriculares recém-aprovadas, por exemplo pelo foco na aprendizagem baseada em experimentação, refletida na alta carga laboratorial. Mas não podemos ter a pretensão de afirmar que atuamos de forma independente de diretrizes que representam um entendimento amplo da formação de Engenharia, com participação de stakeholders e instituições que também têm o que ensinar ao ITA, através de suas experiências. É um caminho de mão dupla: precisamos das diretrizes para atualizar nosso modelo, e contribuiremos com futuras revisões destas diretrizes a partir do nosso modelo e de suas particularidades”, completa o Vice-Reitor.

O projeto do CCM será apresentado na Mostra Tecnológica do EEF 2019 – além de outros projetos do ITA que também dialogam com a prática PBL. Mas o EEF vai além, como explica o professor Carlos Henrique: “Não é justo destacar projetos específicos porque a Mostra também terá um espectro muito amplo, englobando todos os aspectos das novas diretrizes. Teremos estandes sobre metodologias ativas, inovação, iniciativas dos alunos, orientação educacional, pesquisa aplicada em várias áreas e trabalhos do ITA com outros institutos. De modo complementar ao Fórum, a Mostra, e também as competições previstas (Grand Prix, Competição em Ciência de Dados e Competição 3D) ilustrarão como muitos dos aspectos discutidos são traduzidos em ações efetivas de modernização, em uma sinergia virtuosa. E, como no caso do Fórum, também temos a expectativa de que estas ações ganhem ainda mais força ou se multipliquem em outras”, completa o chairman do EEF 2019.

Projeto quer ampliar participação feminina na ciência e tecnologia

Mulheres em STEM²D é uma iniciativa criada pela Johnson & Johnson e desenvolvida pelo ITA, única instituição eleita no hemisfério sul

E no meio da palestra, uma aluna começou a chorar copiosamente. Não se contava ali, na frente da sala, nenhuma história pessoal tocante, nenhum caso de superação, mas simplesmente se apresentava os possíveis caminhos que poderiam ser trilhados na faculdade de engenharia. A professora quis ouvir o que tinha emocionado tanto a aluna: “é que eu sempre quis ser engenheira, mas meu pai não deixou”. O motivo você já deve desconfiar: “engenharia é coisa para homem”.

Assim, quando o assunto é ensino superior na área de ciência e tecnologia, o público feminino representa apenas 28% do total de alunos nos cursos de engenharia, segundo dados do Censo de Educação Superior. No Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), as alunas somam 10% do total das turmas e em algumas aulas apenas uma mulher participa.

O estereótipo da “profissão masculina” é o mais antigo dos obstáculos. Afinal, quando se pergunta nomes de grandes cientistas, dificilmente alguém vai citar uma mulher. “A gente começa o nosso projeto já apresentando grandes mulheres e suas realizações na ciência, na pesquisa”, conta uma das coordenadoras do projeto Mulheres em STEM²D Neusa Maria Franco de Oliveira. “As alunas vão até as escolas, apresentam a área e mostram os casos de sucessos. Por um processo cultural, as engenharias ficaram muito conhecidas como coisa de homens. Queremos quebrar essa tradição”, completa Neusa.

Em uma ação conjunta da academia com a indústria disposta a ampliar a participação feminina nessa área de formação, a Johnson & Johnson criou o projeto STEM²D, que tem como principal objetivo incentivar o ingresso de mulheres em cursos das seguintes áreas: Ciências, Tecnologia, Engenharia, Matemática, Manufatura e Design. O projeto seleciona universidades parceiras em todo o mundo e desenvolve ações que incentivam mulheres a desenvolver conhecimento nessas áreas. O ITA é a única instituição eleita no hemisfério sul. Ao todo, foram selecionadas noves universidades pelo mundo, sendo outras seis nos Estados Unidos, uma na Irlanda e uma no Japão.

O Mulheres em STEM²D no ITA entra no seu quarto ano de projeto e já impactou cerca de 5 mil meninas de ensino fundamental, médio e superior. Foram desenvolvidas atividades como oficinas, eventos e palestras, que aconteceram em 11 cidades do país, desde a região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo, onde fica o ITA, até cidades de Goiás, Piauí e Rio Grande do Sul. Dentro do Instituto, dezenas de alunas de graduação tiveram apoio em projetos técnico-científicos, desenvolvimento de habilidades interpessoais e debates sobre carreira e liderança feminina.

Para fazer um balanço do projeto e esquadrinhar caminhos futuros, será realizado no próximo dia 24 de maio, I Encontro Rede de Mulheres em STEM. O evento faz parte do Engineering Education for the Future – EEF 2019,  que vai contar com fóruns com palestrantes nacionais e internacionais, mostra tecnológica e competições de inovação, em busca de debate sobre os rumos do futuro do ensino em engenharia.

No encontro Mulheres em STEM, a ideia é trocar ideias, experiências, dificuldades e, claro, vitórias entre grupos engajados na mesma causa de outras escolas como o Instituto Militar de Engenharia (IME), UNESP e UNIFESP.

Além de promover o encontro, o Mulheres em STEM²D do ITA vai apresentar suas histórias e atividades durante a Mostra Tecnológica do EEF 2019. “Vamos mostrar as duas principais vertentes em que atuamos: o projeto técnico e a nossa linha social. Nossas alunas são nossas embaixadoras e fazem as palestras nas escolas. Vamos em escolas públicas, em sua maioria, mas essa não é uma regra – podemos apresentar em qualquer escola. Realizamos também oficinas, o que sempre encanta, é bonito ver as alunas construindo objetos, vendo um robozinho realizar atividades. E elas entendem que um cientista não é somente um malucão que fica trancado dentro do laboratório”, conta a professora Neusa.

Junto com a busca pelo aumento da representatividade feminina, está na essência do projeto mostrar para mulheres de todas as idades que existem escolhas de futuro disponíveis, não somente aquelas já tradicionalmente impostas ao gênero. “Quando falamos com estudantes do ensino médio, emociona ver meninas de 15 anos, já mães, aprendendo sobre ciências. Em comunidades mais pobres, elas descobrem que podem tentar ir além de somente casar e ter filhos”, diz Neusa.

Um exemplo prático dessa fala da professora Neusa foi vivido pela Chefe da Assessoria de Comunicação Social do ITA, Tenente Raquel Caratti Piani, que também é uma das coordenadoras do Mulheres em STEM²D. Quando foi convidar alunas de uma escola para conhecerem o projeto, Tenente Raquel ouviu do coordenador, um homem, que ficava muito feliz com o convite, “porque geralmente quem aparecia por lá para convidar alunas, sempre aparecia com convites para cursos de secretariado”. É que aquele convite mostrava um novo horizonte para as meninas e um coordenador educacional deve, ou pelo menos deveria, sempre se preocupar com isso. “Não tem problema algum uma jovem escolher o caminho do secretariado. Mas ela precisa saber que esse não é o único caminho. Ela pode ser cientista, engenheira, jornalista. Ela saber que pode ser uma cientista, também faz com que ela saiba que ela pode ser o que ela quiser ser”, completa Neusa.  

De acordo com um estudo divulgado pela ONU, em termos de crescimento econômico, 144 países em desenvolvimento poderiam aumentar o PIB em 8 trilhões, se 600 milhões de mulheres e meninas tiverem acesso às áreas de ciência, tecnologia e inovação. O futuro é feminino.

Outras informações sobre o Engineering Education for the Future e o formulário para se inscrever gratuitamente e participar do evento estão no site www.eef.ita.br.

Descubra o futuro no Laboratório de Bioengenharia do EEF

Algoritmos trabalhando no tratamento do câncer. Inteligência artificial projetando melhor qualidade de vida. A poesia nas imagens de microscópio. Estande do LABBIO vai apresentar soluções tecnológicas e pesquisas na área biomédica

O Laboratórios de Bioengenharia (LabBio) tem como objetivo principal buscar soluções para os problemas na área da Medicina Operacional e de Saúde Assistencial, valendo-se da vasta experiência no campo da pesquisa e tecnologia. Para tal, reúne as mentes em treinamento para resolver os problemas que esse mundo em transformação possa apresentar e professores e pesquisadores empenhados em guiar esses estudantes para além de possíveis fronteiras do pensamento. O resultado sempre perseguido é melhorar a qualidade de vida das pessoas. Esse é o perfil do LabBio do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, coordenado pelo Major-Brigadeiro Médico José Elias Matieli. Algumas das pesquisas que nasceram dessa comunhão de pensamentos e serão apresentadas na Mostra Tecnológica do Engineering Education for the Future – EEF 2019, que acontecerá no ITA nos dias 23, 24 e 25 de maio.

“Muitos alunos extremamente engajados em pensar questões macro, sociológicas, determinados em resolver os problemas de saúde procuram o Brigadeiro Matieli com ideias e projetos. Temos muitos alunos, inclusive, preocupados com o envelhecimento, buscam pesquisas sobre Alzheimer, demências. É muito bonito ver um jovem se preocupar com envelhecimento. Temos um aluno aqui desenvolvendo uma smart bed. Uma maca para melhorar a qualidade de quem está num hospital, com ajustes de temperatura, por exemplo. Esses alunos não estão pensando somente em si. Buscam melhorias para a humanidade”, conta a professora Priscila Fernandes, do Labbio.

Professora Priscila Fernandes, do Labbio

Com uma equipe multifacetada, o Labbio vai apresentar durante a Mostra as diversas conexões estabelecidas em seus projetos, os vínculos com os diversos atores da área de saúde, de hospitais a centros de pesquisa, por exemplo. “Na área médica, temos alguns projetos de pesquisa com outros docentes aqui do ITA, utilizando inteligência artificial em tratamentos de câncer baseados em algoritmos computacionais para escolha de melhores possibilidades de atendimento. Uma outra equipe tem feito um estudo sobre como que a radiação cósmica, a radiação ionizante atua em pilotos, em regiões específicas em que há uma aberração magnética e a incidência dessa radiação pode causar problemas cromossômicos, problemas vinculados a câncer inclusive, em pilotos. Esse é um projeto junto com o Instituto de Estudos Avançados (IEAV)”, explica Priscila.

Outro projeto de destaque do Laboratório é desenvolvido em parceria com o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, que identifica sinais de tomada de decisão com pilotos de helicóptero em situações de estresse ou emergência. Para coletar esses dados, uma grande equipe foi mobilizada para acompanhar panes reais de helicópteros, não apenas com simuladores. “E aí foi feito uma série de medidas, tanto comportamentais, estudos oculares, eletrodos. Queremos entender o que é esse momento e o que determina fisiologicamente a tomada de decisão. Esse estudo tem uma interface no treinamento de pilotos. Se a gente consegue modular esses sinais orgânicos ou compreender esses sinais orgânicos, podemos ter uma melhora nesse treinamento”, conta Priscila. Os resultados dessa pesquisa também poderão beneficiar outros profissionais que passam por situações regulares de estresse em longos períodos.

Junto a uma empresa de tecnologia, o Labbio desenvolve fixadores externos para fraturas graves ou má formação óssea que podem ser operados eletronicamente. Hoje, esses ajustes precisam ser manuais, apertando duas ou três vezes ao dia. Equipes de pesquisadores no laboratório e outras equipes na indústria estão trabalhando juntas para desenvolver esse produto. Ademais, segue a premissa das novas diretrizes homologadas pelo Ministério da Educação para os cursos de engenharia, que – entre seus itens – prega mais aproximação da academia com a indústria

Projeto desenvolvido pelo Labbio

Com o apoio da ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA), a professora Priscila Fernandes desenvolve um projeto de aproximação dos alunos de engenharia com a biologia básica, disciplina fundamental para o profissional que pretende trabalhar em centros de saúde ou startups de healthcare. “Para isso utilizo um projeto de microscopia ótica. Vamos captar e tratar essas imagens que os alunos vão produzir. E entender o que se pode aprender em biologia olhando essas células. Ou utilizar a microscopia ótica em outros problemas da engenharia, por exemplo”, conta a professora.

Outra pesquisa importante (que também será estará na Mostra do EEF) é coordenada pela professora Mônica Mitiko Matsumoto. A professora Mônica desenvolveu algoritmos de processamento de imagens e sinais, simulações e reconhecimento de padrões para imagens médicas, além de um sistema óptico e aplicativo para solução em teste de visão. “Com essa pesquisa, é possível identificar catarata em processos inferiores, tornando o tratamento mais barato. Esse é um lugar importante da tecnologia, da inovação: de desenvolver um produto para mudar a saúde das pessoas”, completa Priscila.

Professora Mônica Mitiko Matsumoto, do Laboratório de Bioengenharia

Uma revolução no tratamento de saúde impulsionada por pesquisadores e jovens engenheiros determinados a construir novas possibilidades de qualidade de vida. Um futuro onde os tratamentos poderão ser mais assertivos, centrados no problema individual – mas utilizando um gigantesco banco de dados universal, e, principalmente, mais baratos, facilitando o acesso para todos, não deixa de ser empolgante. A junção de vida com resolução de problemas parece, a cada dia, mais vital. “A criatividade é muito importante para o engenheiro. Não apenas a criatividade pragmática, mas ele precisa estar livre para fazer todas as conexões possíveis. Por isso, gosto mais da palavra invenção, que não está necessariamente vinculada a um problema imediato. Trazer a biologia para esses alunos pode alimentar a condição de invenção, a capacidade de produção”, conta, empolgada, professora Priscila.

Disposto a debater os rumos do ensino de engenharia no Brasil, o EEF 2019 quer, em todas as suas atividades, do fórum às competições, estabelecer ligações, junções, para alinhar a profissão com o futuro. E nenhuma disciplina é capaz de liderar o desenvolvimento de um país sozinha. “E os alunos sabem disso. Essa geração já compreende a complexidade do mundo. Não se resolve nenhum problema da vida real somente com uma disciplina. A gente precisa de conexões. Estamos aprendendo no durante. Que se organizem em iniciativas. Se existe um caminho para o ensino de engenharia é a abertura para o trabalho colaborativo. Uma feira como essas e ações de resoluções de problemas, como o Grand Prix, são estratégias de abertura, de diálogo, sem abrir mão do que se é”, diz a professora Priscila.

Os debates no Fórum, as competições no Grand Prix e do Data Science, as áreas conectadas na Mostra Tecnológica, olhar para o futuro e construir as pontes para se chegar nele é um dos resultados esperados pelo EEF 2019. “Esse evento tem uma enorme importância para os alunos, para os gestores, para os professores. É um trabalho colaborativo extremamente importante para que a gente se envolva, estando lá para dialogar, para conversar. E os alunos, pesquisadores que participarem, vão carregar essas ideias adiante. O que pode surgir disso pode ser muito maior ou muito diferente do que a gente imaginava”, finaliza Priscila. O futuro estará no EEF 2019. Do ensino em engenharia. Mas talvez não seja exagero dizer que também da vida, da saúde, da sociedade.

Palestra vai tratar da Avaliação do Ciclo de Vida de materiais na construção civil

Evento contará com a pesquisadora Luciana Alves de Oliveira, especialista em ACV do Instituto de Pesquisas Tecnológicas

O texto de abertura do Projeto Habitas pergunta: e se cada ato da construção, da concepção do projeto à execução da obra – e a posterior utilização da edificação – for uma oportunidade para impactar positivamente o ambiente e a sociedade? Uma parte dessa resposta poderá ser encontrada na palestra “Avaliação do Ciclo de Vida na Indústria da Construção Civil”, no próximo dia 24 de maio, às 16h, no ITA. A palestrante será a pesquisadora Luciana Alves de Oliveira, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Engenheira Civil pelo Centro Universitário da FEI, Mestre e Doutora em Engenharia de Construção Civil pela EPUSP, Luciana é especialista Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) do IPT, tendo sido premiada no VI Congresso Brasileiro sobre Gestão do Ciclo de Vida, em Brasília, pelo trabalho “Is it relevant to include capital goods in the Life Cycle Assessment of construction products?”, escrito com a também pesquisadora do IPT Fernanda Belizario Silva.

A avaliação de ciclo de vida (ACV) é uma ferramenta desenvolvida para avaliar quantitativamente os impactos ambientais de um produto, desde o primeiro momento em que são extraídos os recursos naturais para a sua fabricação até o momento em que o produto é descartado. Os fluxos são contabilizados e depois consolidados em indicadores ambientais. Todos os processos de fabricação são mapeados a fim de saber o consumo de material, de combustível, de energia e de água, assim como as emissões de poluentes e a geração de resíduos.

Na palestra do dia 24 de maio, no ITA, a pesquisadora Luciana vai abordar desde a importância da ACV na construção civil, fazer um panorama geral comparando o Brasil com outros países, apresentar estudos de caso e quais são as perspectivas da ACV na construção civil brasileira. As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas. Para se inscrever basta enviar um e-mail para redevale@ita.br com o nome, instituição e telefone de contato até o dia 21 de maio.

Pesquisadora Luciana Alves de Oliveira

A palestra “Avaliação do Ciclo de Vida na Indústria da Construção Civil” vai acontecer no dia 24 de maio, às 16h, na Sala F3-102, do novo prédio de Fundamentais do ITA.

A palestra é uma iniciativa do Projeto Habitas, coordenado pelo professor Wilson Cabral e criado a partir da comunidade acadêmica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto tem como finalidade contribuir para uma melhor compreensão de técnicas, métodos e tecnologias sustentáveis no âmbito da administração pública, estabelecendo um novo sistema a ser adotado nas reformas e novos projetos de edificações.

O evento acontece em paralelo ao Engineering Education for the Future – EEF 2019, que vai debater o futuro do ensino em engenharia. Palestras como essa fazem parte de uma das metas do EEF, que é produzir iniciativas para além do evento em si, que tenham um potencial impacto no ensino e na sociedade.

Minicurso pretende revitalizar programa de aconselhamento no ITA

Evento paralelo ao EEF 2019 será ministrado pelas professoras Cristiane Lacaz (DAE/ITA) e Isabel Gonçalves (IST de Lisboa)

Personalizar a relação professor e aluno, identificar dificuldades que não são facilmente perceptíveis apenas durante as aulas, ampliar o potencial de visão do docente sobre os caminhos escolhidos pelos estudantes, conter ansiedade, motivar, diagnosticar potencialidades, auxiliar no percurso na graduação e no posterior destino ao mercado. Um dos sinônimos de tutoria é “amparo”. E preparar o futuro profissional de forma mais personalizada é uma das principais marcas do novo ensino em engenharia.

Para amplificar esse processo de aprendizado, a Professora Cristiane Lacaz (DAE/PROGRAD/ITA) e a Professora Isabel Cristina Gonçalves, Coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Acadêmico (NDA) do Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa, oferecerão o minicurso “Contribuições para revitalização do aconselhamento no ITA: O Programa de Tutorado no IST” no próximo dia 22 de maio. “Será um evento muito interessante que nos trará importantes subsídios e reflexões, ajudando em uma eventual reformulação do modelo de aconselhamento praticado no ITA”, explica a professora Cristiane Lacaz.

Premiado na Europa, o “Programa de Tutorado” existe no IST desde 2003, tendo sido pioneiro em Portugal no desenvolvimento e implementação de atividades de tutoria adaptadas à realidade do ensino superior local. A qualidade do trabalho desenvolvido pelo “Programa de Tutorado” foi reconhecida em 2013 pelo European Observatory On Good Practices In Strategic University Management, como uma boa prática no contexto universitário europeu.

Já a Divisão de Assuntos Estudantis – DAE do ITA, chefiada pela professora Cristiane Lacaz, tem como objetivo auxiliar o desenvolvimento do aluno e fornecer suporte à vida acadêmica. Esse mini-curso vem ao encontro de uma meta importante do Engineering Education for the Future 2019, que é produzir iniciativas para além do evento em si, que tenham um potencial impacto de longo prazo para a melhoria da qualidade doensino no ITA – e, também, em outras academias.

Os participantes que concluírem com sucesso o mini-curso “Contribuições para revitalização do aconselhamento no ITA: O Programa de Tutorado no IST” receberão um certificado, emitido conjuntamente pelo ITA e pelo IST. São somente 25 vagas para o curso e é preciso requisitar sua inscrição pelo e-mail sec.ig@ita.br.

A professora Isabel Gonçalves também terá um painel sobre tutoria na educação em engenharia durante o Fórum de Educação do EEF 2019. Sua palestra será no dia 24 de maio, às 16h30.

Pesquisas no Brasil procuram se reinventar

Para Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pesquisa do ITA, sistema de financiamento da pós-graduação está saturado. Instituto vai apresentar alternativas e debater o ensino de engenharia durante a Mostra Tecnológica do EEF 2019

Em geral, as pesquisas desenvolvidas por mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos são financiadas com recursos de agências estaduais e federais de fomento, via bolsas de estudos e apoio a projetos científicos. Os dois principais órgãos federais de fomento à produção científica nacional são o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ambos atuam com orçamento enxuto para atender toda a demanda nacional. “Nosso sistema de financiamento de pós-graduação está saturado. E a competição é muito grande hoje. Você abre um edital universal hoje, para financiar uma pesquisa de 30, 50 mil reais, tem uma concorrência enorme. Se a competição é grande para os recursos disponíveis, você tem de buscar de várias fontes”, explica o professor Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pós-Graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.

Projetos que oferecem alternativas de financiamentos capazes de manter a pesquisa científica funcionando sem depender tanto de sistemas como Capes e CNPq e que aproximem o pesquisador da indústria estão no cerne dos programas de pós-graduação do ITA que serão apresentados na Mostra Tecnológica do Engineering Education for the Future – EEF 2019, que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de maio no ITA, em São José dos Campos, interior de São Paulo. “A nossa ação de doutorado acadêmico dentro da empresa se comunica totalmente com esse momento que estamos vivendo. É um doutorado voltado para gargalos tecnológicos da indústria. É um projeto piloto do CNPq, algumas empresas já aderiram a esse novo modelo, são 10 projetos por enquanto, vamos abrir uma segunda chamada. A indústria tem demandas de pesquisa. Com esse nosso programa, a empresa complementa a bolsa dos alunos, que tem uma orientação conjunta de um professor do ITA e um supervisor da empresa, para resolver um assunto proposto pelo próprio mercado. Uma forma de a empresa financiar a pós-graduação e os nossos alunos estarem mais próximos de assuntos de impacto no setor produtivo”, apresenta Lacava.

A aproximação de profissionais ultraqualificados, como doutores, mestrandos e a indústria é um dos principais pontos de debate para os novos rumos do ensino de engenharia no Brasil. E só podemos classificar algo como inovação, quando essa ideia se transforma em tecnologia, algo prático que pode ser usado pela sociedade. “A pós-graduação ficou muito tempo formando pessoal para ela mesma. Ela forma mestres, doutores, que ficam dentro das universidades, dos institutos de pesquisa. Isso foi importante para o país, porque criou uma cultura de mestrado, doutorado, pesquisa, mas para isso gerar impacto para a sociedade, é preciso ter essas pessoas que estão se qualificando, também, junto às empresas. Este é o objetivo que visamos atingir. E é dessa forma que pretendemos contribuir com o desenvolvimento tecnológico do país, porque a inovação vai acontecer dentro da empresa. Se pegarmos um país que é forte em inovação, vou citar um clichê, mas dá para ver como o Brasil pode chegar lá: a Coréia do Sul. A Coréia forma o mesmo número de doutores que o Brasil, mas 85% desses doutores vão para as empresas. No Brasil é o contrário, menos de 15% desses doutores vão para o mercado. Não é só o engenheiro que deve ir para a indústria. O mestre, um doutor também precisam ir. Só assim vamos conseguir produzir em massa produtos de alto valor agregado”, exemplifica o professor Pedro Lacava.

Professor Pedro Lacava, Pró-Reitor de Pós Graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)

Para desenvolver esse programa de doutorado nas empresas, algumas resistências tiveram que ser derrubadas. Foi preciso alterar culturas, como fazer a indústria perceber que ela não estava apenas liberando seu funcionário para se especializar, mas o intuito deste profissional adquirir conhecimento e atuar em um problema concreto. Além de o custo-benefício de se investir no desenvolvimento de profissionais, frente a financiar uma pesquisa completa. Outra resistência estava dentro da academia. “Precisamos mostrar que essa relação com a indústria não faz com que você pesquisador, professor, esteja abdicando de fazer ciência. O paper que eu tenho mais citação foi feito dentro da indústria. Uma coisa não esta se opondo a outra”, lembra Lacava.

É preciso saber buscar recurso nas agências de fomento, assim como saber buscar o recurso no setor produtivo. As pesquisas aplicadas precisam se apresentar de maneira atrativa, para motivar o financiamento. É necessário demonstrar a capacidade de impacto para poder buscar esse investimento privado. “Hoje o docente precisa ser três coisas: um bom professor; tem que ser um cientista, um pesquisador, saber como conduzir um projeto; e, por fim, tem que ser um empreendedor. Tem que buscar recurso”, completa o professor.

Além do projeto de doutorado dentro das empresas, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação do ITA também vai expor na Mostra Tecnológica – EEF 2019 detalhes sobre outros projetos, como o Programa Capes-Print, que pretende fortalecer o relacionamento de instituições de ensino e pesquisa brasileiras com instituições similares no exterior que apresentem relevante impacto internacional em pós-graduação e pesquisa. O ITA conta com 14 projetos no programa, que promove o intercâmbio internacional entre professores e alunos. O Capes-Print começou esse ano, 2019, e segue até 2022.

Iniciativas de apoio aos professores e pesquisadores também serão apresentadas na Mostra. Chamadas para projetos, com novos professores que ainda não estão credenciados na pós-graduação, para que tenham a possibilidade de co-orientar trabalhos. Também serão apresentadas maneiras de como o professor recém-chegado poderia atuar como orientador de projetos. “Essa foi uma maneira, também, de integrar a comunidade de professores”, diz Lacava.

Conexões entre as disciplinas é o principal signo da Mostra Tecnológica do EEF 2019. Professor Pedro Lacava ressalta essa intersecção. “Quando você tem a possibilidade de ver o que os outros estão fazendo e de expor seus projetos para os demais, geralmente nascem boas ideias. Às vezes, ficamos fechados em nosso dia-a-dia, em nossas pesquisas. Em eventos como esse, temos a oportunidade de trocar impressões com outros colegas que, por vezes, estão próximos e não compartilhamos as experiências”, diz.

A meta da Mostra – e do EEF – é justamente ajudar a TRANSFORMAR esses paradigmas. Afinal, os problemas atuais da engenharia são multidisciplinares. Não são problemas segmentados da engenharia aeronáutica, eletrônica ou civil. Para resolver, é preciso ter pessoas de diferentes formações dialogando. Esse é o objetivo central do Engineering Education for the Future, que irá debater a educação em engenharia no Brasil e, além da Mostra, vai contar com um grande fórum de debates e competições. Veja a programação completa no site www.eef.ita.br e se inscreva gratuitamente.

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Aproximando projetos, Mostra Tecnológica conecta as principais pesquisas do ITA com a sociedade

Exposição fará parte do EEF 2019 e destaca a evolução dos trabalhos desenvolvidos pelo ITA e Institutos do DCTA

Você sabe o que significa a palavra tupi “îandé”? A professora Sueli Custódio, coordenadora-geral da Mostra Tecnológica, que estará em cartaz durante o EEF 2019, explica: “Îandé quer dizer nós. É um pronome pessoal, inclusivo. Esse é o principal conceito da Mostra: conectar, incluir”.

Por meio dessa união, “îandé”, todos juntos integrando diversas áreas do conhecimento, o evento quer provocar, debater e despertar o estímulo à pesquisa, à formação de parcerias e ao desenvolvimento de novas tecnologias e inovações. A professora esclarece que trata-se de um espaço favorável ao compartilhamento de ideias e experiências, de fortalecimento e ampliação de parcerias, mas, principalmente, de entendimento sobre o importante papel da pesquisa no futuro do País.

Pesquisas  como as desenvolvidas pela Divisão de BioEngenharia sobre o sistema nervoso e o ITAndroids, o projeto que utiliza inteligência artificial – tem muito a contribuir para o debate sobre o futuro de ensino em Engenharia. Essa interface de conhecimentos será estimulada o tempo todo durante a exposição no EEF 2019. “Queremos que todos os participantes se sintam incentivados a pensar e trabalhar pelo desenvolvimento da educação, da pesquisa. Esse é o caminho para transformar uma sociedade e propor alternativas para promover a ciência e inovação”, explica Sueli.

Professora Sueli Custódio, uma das coordenadoras da Mostra Tecnológica

Conexão com o futuro, conexão com o passado. Durante a Mostra, o projeto “Caminho das Memórias” vai celebrar projetos históricos do ITA, como o Zezinho, primeiro computador brasileiro, totalmente projetado e construído no país, em 1961. “Na Mostra teremos um bonito caleidoscópio do trabalho de pesquisa e de ensino realizado pelo ITA ao longo dos anos”, afirma Sueli.

Pesquisadores de olho em transformações de grande impacto na sociedade. Projetos históricos capazes de inspirar. Empreendedores conscientes de seu papel na transformação do país. Jovens profissionais se preparando para o mundo 4.0  Todos juntos. Îandé.

A Mostra Tecnológica acontece nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio de 2019, dentro do Engineering Education for the Future 2019 – EEF. O evento vai debater a educação em engenharia no Brasil e, além da Mostra, vai contar com um grande fórum de debate e competições. Veja a programação completa no site e se inscreva gratuitamente.

Projeto de metodologia ativa do ITA mira modernização do ensino

Programa piloto do Departamento de Mecânica estreita o relacionamento dos alunos com a prática e o mercado de trabalho

“O projeto surgiu de uma demanda, de fazer a revitalização de uma oficina que tem dentro do ITA, que conta com equipamentos que existem desde a concepção do ITA. Mas, a gente percebeu que era uma oportunidade maior do que mexer apenas em infraestrutura. Mais do que os equipamentos, atualizar a maneira de trabalhar o ensino dentro daquela oficina. Identificar quais são os métodos que estão mais associados a essa geração atual, que não consegue se concentrar por mais de sete minutos”, explica o professor Ronnie Rego, do Centro de Competência em Manufatura – CCM.

Nos debates sobre a necessidade de modernização dos cursos de Engenharia no Brasil, alguns tópicos que sempre são levantados passam pela necessidade de uma educação mais prática e próxima do ambiente profissional, principalmente através dos métodos de ensino baseados em projetos, capazes de estreitar a relação do aluno com o mercado de trabalho e, também, renovar sua conexão com a profissão. Tentando resolver esse problema e apresentar uma sugestão de modernização do ensino, o Divisão de Engenharia Mecânica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – o ITA – criou um projeto de Metodologia Ativa. Para preparar um profissional para a Indústria 4.0 somente com uma Educação 4.0.

Viabilizado pelo ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA), o projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica utiliza o processo de aprendizagem baseado em problemas, project based learning (PBL), que tem como propósito fazer com que os estudantes aprendam através da resolução colaborativa de desafios. Esse tipo de desafio incentiva a habilidade de investigar, refletir e criar perante a uma situação – e utilizando o equipamento disponível na oficina do ITA. “O aluno não pode ir lá mexer no torno por mexer no torno, apenas. Ele precisa ter um desafio associado. É o aluno comprar um problema e resolver via usando o torno, a fresadora e a furadeira – mas o equipamento é somente habilitador, o que conta aqui é a filosofia. Em um espaço de um mês, ele encara o problema, vê teoria, vai para a sala de aula motivado, porque sabe que tem esse desafio para resolver. Que pode ser um problema da vida real. E não só na sala de aula, mas em contato direto com a sociedade”, completa o professor Ronnie.

Professor Ronnie Rego: “Esse é um projeto piloto que pode engendrar uma proposição de mudança

Esse contato direto com a sociedade proposto no projeto, claro, ultrapassa as salas de aula ou a oficina do ITA. Para a semana de exames finais, por exemplo, será promovido um hackathon, onde especialistas de uma grande empresa brasileira lançarão desafios para que os alunos resolvam em 12 horas. Ao final, a evolução desses alunos na resolução do problema será avaliada por essa banca de profissionais. Metodologia ativa, prática e atuação próxima com o mercado: itens fundamentais para a formação do engenheiro 4.0 reunidos em uma grande atividade.   

“Esse é um projeto piloto que pode engendrar a proposição de um plano de mudança. O fim desse projeto é a mudança. E uma parte é a metodologia ativa em aula. A outra parte é uma interface entre as aulas”, conta professor Ronnie. Intersecção entre disciplinas é outro signo importante na transformação do ensino em Engenharia. Por isso, o projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica é uma criação conjunta, desenvolvida por 14 professores.  “Não queremos utilizar a oficina somente para a fabricação, mas criar uma oficina de fabricação que avalia os conhecimentos de diversas disciplinas. Termodinâmica, por exemplo, é um fenômeno natural do processo de fabricação. Nós temos uma disciplina de vibrações. Quando eu vou fresar uma peça, gero uma porção de vibrações. Quais são os sensores sobre o equipamento que devem existir, para que aquela oficina sirva para fazer experimentos transversais na emenda? Por isso, as atividades ou os desafios propostos podem dar notas para duas ou mais disciplinas”, avalia Ronnie.

Está nos planos do professor Ronnie Rego entrevistar todos os professores da Mecânica e descobrir como eles trabalhariam com metodologias ativas e como seria possível que as disciplinas deles se conectem com a Manufatura. Com esse mapa de conexões que será traçado após essas conversas, o plano de revitalização da oficina será desenhado. E como utilizar essa estrutura para aplicar desafios que preparem os alunos para atender as demandas atuais da indústria.

Até o momento, as partes já envolvidas no projeto de Metodologia Ativa aprovaram a iniciativa. “A ideia foi muito bem recebida pelos alunos e pelos professores. O pessoal está empolgado, sugerindo ideias, isso é muito bom. Também é ótimo para as empresas que têm uma visão de longo prazo. Essa empresa sabe que, se eu levar um aluno daqui para fazer um processo de imersão, por exemplo, sempre que esse aluno pensar em um projeto que tiver a ver com aquela empresa, durante toda a vida, vai lembrar daquela imersão e daquela empresa. E essa força de imagem é muito importante, porque esses alunos de hoje são os futuros tomadores de decisão da nossa profissão”, reforça o professor.

E é justamente a integração de diversas áreas do conhecimento que norteia a Mostra Tecnológica do EEF 2019 – Engineering Education for the Future, que acontecerá nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio no ITA, em São José dos Campos.

A proposição de diálogos entre disciplinas e institutos de pesquisa são conceitos caros aos curadores da Mostra e preceitos importantes para a modernização do ensino da Engenharia. O projeto de Metodologia Ativa do Departamento de Mecânica, claro, estará presente, mirando o futuro da profissão.