Primeira edição do EEF 2019 reúne centenas de professores, pesquisadores e estudantes

Em maio, aconteceu a primeira edição do “Engineering Education for the Future – EEF 2019”, evento realizado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com o apoio da ITAEx, e contou com cerca de 1300 participantes. Dividido entre fórum com palestrantes nacionais e internacionais, competições de inovação e mostra com os principais projetos desenvolvidos pelo Instituto, o EEF recebeu pesquisadores, professores, representantes da indústria, alunos de diversos Estados brasileiros, como Rio Grande do Sul, Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, além de São Paulo. Da Universidade de Campinas (UNICAMP) vieram 15, e somente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) outros 18, apenas para citarmos dois exemplos de grupos que se dirigiram ao campus do DCTA em São José dos Campos interessados no evento.

Essa grande adesão acontece pela importância do tema no que se refere a um processo de modernização no ensino de engenharia e, também, o local o ITA, referência na excelência desse ensino. Os debates necessários para essa época com demandas tecnológicas enormes, e em constante transformação, aconteceram a todo instante, em diversos formatos.

Fórum – Luís Carlos Affonso, VP de estratégia e inovação da Embraer, iniciou o primeiro dia de palestras apontando que dominar temas como automação, ciência de dados, cibersegurança e mobilidade urbana deve ser uma das prioridades na formação universitária. Na sequência, José Carlos de Souza Jr., reitor do Instituto Mauá de Tecnologia apresentou ações necessárias para garantir a renovação dessas inovações no ensino.  Já Xavier Fouger, diretor sênior da empresa de software de design em 3D Dassault Systèmes, reforçou que academia e indústria precisam colaborar cada vez mais.

Essa proximidade também foi defendida na fala de Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. Para Costin, é fundamental inovar em infraestrutura e capacitação de profissionais para que o Brasil se aproxime da indústria 4.0 e integrar universidades e empresas é um dos caminhos. E Costin vai além: “será fundamental que a educação básica receba mais atenção para o país conseguir inovar”.

Uma das atrações mais concorridas foi a mesa-redonda “Parcerias, financiamento e linhas de fomento voltados para a inovação na educação de engenharia”,  que reuniu o Prof. Dr. Carlos Pacheco (Diretor-Presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP),  o Brigadeiro Engenheiro Luiz Sérgio Heinzelmann (Presidente, Conselho Diretor da Fundação Casimiro Montenegro Filho), a socióloga Idenilza Moreira de Miranda (Especialista de Desenvolvimento Industrial do IEL/CNI) e Prof. Dr. Jefferson de Oliveira Gomes (Presidente do IPT-SP; Prof. ITA), tendo como mediador o professor Domingos Rade (Prof. ITA).

No debate, Zil Miranda, ressaltou que há entraves sérios para que a interação academia/indústria ocorra. “Muito se fala sobre as parcerias entre universidades e empresas serem fracas. Elas muitas vezes são difíceis”, afirmou. Para o Brigadeiro Luiz Sérgio Heinzelmann, é necessário explorar novas formas de abordar as empresas. Ele cita como exemplo a formação de uma rede de ex-alunos, caso da ITAEx, que, por estarem inseridos no mercado e nas empresas, podem ajudar a atrair interesse das companhias para as oportunidades de parceria com a academia. Carlos Américo Pacheco alertou para o aperfeiçoamento do espírito empreendedor da academia para apresentar projetos viáveis economicamente. Jefferson Gomes chamou atenção para os investimentos e, principalmente, para uma complementaridade do setor privado ao orçamento público.

Com muita simpatia e apresentando cases difíceis e curiosos, a professora Isabel Gonçalves, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, encerrou o segundo dia com humor, leveza e inspiração para a maneira de ser um tutor na educação em engenharia nesse mundo 4.0. O sábado consagrou a pluralidade e abrangência de temas na organização do EEF ao iniciar com a fala do aluno Daniel Frageri sobre a percepção dos alunos em relação à necessidade de mudanças, e terminar com o professor Amitava Mitra, do MIT, referência mundial em excelência no ensino. Frageri apontou a necessidade de maior diálogo entre veteranos, calouros e professores. Mitra apresentou, para uma plateia hipnotizada, o cenário atual em que vivemos e caminhos encontrados pelo MIT para conseguir entender com quais ferramentas engajar alunos e docentes em atividades capazes de atender as novas demandas.

Destaque também para a interação dos participantes durante as palestras. Em todas elas, os espectadores apresentaram questões pertinentes sobre os assuntos apresentados que alargaram ainda mais as fronteiras dos pensamentos debatidos.

Incentivo – Durante o EEF 2019, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) anunciou uma parceria com o ITA e FAPESP para oferecer aos alunos e pesquisadores mais informação sobre o processo de aplicação e obtenção de patentes. O presidente do INPI, Cláudio Vilar Furtado, afirmou que a aproximação com instituições como ITA e Fapesp tem sido uma das prioridades do instituto.

Mostra – Calçada na essência da palavra Iandê, que do tupi-guarani significa “nós”, a mostra tecnológica conectou as pesquisas do ITA e dos institutos do DCTA em conceitos e intersecções. Relembrou clássicas pesquisas da história do ITA e apresentou para indústria, sociedade, alunos, professores, novas ideias para o futuro. No sábado, diversos participantes levaram seus filhos e os estandes ficaram cheios de apaixonados por ciência e inovação de todas as idades.

Competições – Três competições ocorreram durante o EEF 2019. A 3D Competition proporcionou uma ambientação com as necessidades da Indústria 4.0, através da plataforma 3D Experience da Dassault Systèms, sistema que integra processos de negócios e de desenvolvimento de produtos em um ambiente digital. Alunos desenvolveram uma cadeira de rodas para a Uber, um projeto inovador para uma demanda real da sociedade – ação essencial na reforma do ensino de engenharia. O Data Science Challenge reuniu alunos de graduação e pós-graduação do ITA e UNIFESP em busca de soluções para um problema de predição com o uso de dados reais, através da exploração do conhecimento em Ciência de Dados e Aprendizado de Máquina, com o uso da plataforma online Kaggle.

Disputadíssimo, o Grand Prix de Inovação formou cinco equipes multidisciplinares, com sete alunos cada, vindos de escolas como ESPM, UNESP, UNIFESP, HUMANITAS e o ITA, para apresentar soluções para os principais problemas enfrentados pela população mais idosa do país – uma justa e real preocupação da indústria e da sociedade. Durante 40 horas, os estudantes enfrentaram o sono e apresentaram projetos reais e interessantes, deixando o júri em dúvida quanto ao vencedor até o último segundo.

Fonte: http://www.ita.br/noticias236