Novas diretrizes para o ensino em engenharia serão debatidas no EEF 2019

Palestrantes nacionais e internacionais apresentarão novos modelos de aprendizado

No fim de abril as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso de graduação em Engenharia, foram fixadas e homologadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Foram dois anos de debates entre várias instituições, para definir o que era preciso mudar no currículo dos cursos, para tornar a graduação mais prática e interdisciplinar. Atualizar os métodos de ensino para que o profissional esteja, por mais difícil que seja prever, preparado para resolver o novo.

Diversos caminhos adotados pelas DCNs serão debatidos no Engineering Education for the Future – EEF 2019, grande evento que acontecerá no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, interior de São Paulo, nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio. Por exemplo, dentro do fórum de debates que acontecerá dentro do EEF, com a presença de palestrantes nacionais e internacionais, ações de inovação no ensino aparecerão tanto em falas de profissionais como o Professor Doutor José Carlos de Souza Jr., Reitor do Centro Universitário Instituto Mauá de Tecnologia como no engenheiro francês Xavier Fouger, diretor da Dassault Systèmes, aproximando essas inovações educacionais da indústria. Referência tradicional em excelência no seu ensino em engenharia, o ITA se posiciona na linha de frente da modernização do currículo nacional através das nova DCNs.

Preocupado em reunir todos os agentes dessa transformação, por exemplo, em um mesmo dia o EEF se inicia com uma palestra do estudante de engenharia Daniel Frageri que vai apresentar o que inovar na educação em engenharia sob a perspectiva do corpo discente da escola e termina com o Prof. Dr. Amitava Mitra, New Engineering Education Transformation da Massachusetts Institute of Technology, o MIT, uma das principais referências quando se fala em inovações no ensino em engenharia.

“Penso que o EEF seria importante a qualquer momento como meio de reflexão. Mas neste momento, de fato ganha maior relevância, já que esperamos que seja um iniciador de atividades de reforma de Ensino consoantes com as novas DCNs. Em particular, o Fórum permitirá que conheçamos experiências e demandas em vários níveis, desde as expectativas do mercado, passando pela gestão educacional, metodologias de Ensino e ações institucionais de formação, acolhimento e capacitação. Um espectro diversificado que contempla integralmente o que é definido nas novas diretrizes como fundamentos da formação do novo engenheiro. Temos, portanto, uma expectativa muito alta, e que imagino ser a mesma das outras instituições que participarão do evento”, diz o professor Carlos Henrique Costa Ribeiro, Vice-Reitor do ITA e Chairman do EEF.

Com as novas DCNs, as instituições terão mais autonomia para trabalhar conteúdos que acompanhem as novas tendências tecnológicas e as contemporâneas demandas da sociedade, sem abrir mão da formação básica sólida. Pretende-se, com as novas diretrizes, que as instituições formem profissionais alinhados com o perfil de seu projeto pedagógico. E que além de conteúdos, a academia também trabalhe as competências emocionais dos alunos. Afinal, os formandos deverão estar aptos para “analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação”, como diz o texto homologado pelo Conselho Nacional de Educação.

“Muitos dos elementos mais visíveis das novas diretrizes reforçam pontos já presentes nas diretrizes anteriores, como a integração disciplinar e a formação mais voltada para a prática da Engenharia, com diversificação das experiências de aprendizado. Embora estes pontos sejam os mais visíveis e certamente muito importantes, entendo que os aspectos  que realmente podem melhorar de modo consistente a qualidade da formação são a ênfase no papel executivo do projeto pedagógico como um instrumento efetivo de supervisão e controle da gestão educacional, e a referência explícita a valorização da formação docente e a políticas de acolhimento ao discente. Com uma gestão adequada, reconhecimento mais efetivo do papel do docente e acompanhamento do aluno, os outros aspectos das diretrizes são satisfeitos de forma quase natural em uma escola dinâmica como o ITA, que continuamente rediscute seu currículo” diz o professor Carlos Henrique.

Professor Carlos Henrique Costa Ribeiro, Vice-Reitor do ITA e Chairman do EEF 2019

As novas diretrizes também abrem espaço para iniciativas inovadoras como, por exemplo, colocar em prática conteúdos de uma disciplina em projetos e atividades de outras matérias, além da aplicação mais regular de iniciativas como Project Based Learning, onde conceitos são passados através de um projeto real, técnica sempre estimulante, onde os universitários precisamos propor soluções inteligentes para os problemas – além de desenvolver a capacidade de implementar, supervisionar e controlar essas soluções.

Projetos nesse sentido já existem no ITA. É o caso, por exemplo, do projeto de Metodologia Ativa da Divisão de Engenharia Mecânica, que tem como propósito fazer com que os estudantes aprendam através da resolução colaborativa de desafios, que incentiva a habilidade de investigar, refletir e criar perante a uma situação – e utilizando o equipamento disponível na oficina do ITA. “O aluno não pode ir lá mexer no torno por mexer no torno, apenas. Ele precisa ter um desafio associado. É o aluno comprar um problema e resolver via usando o torno, a fresadora e a furadeira – mas o equipamento é somente habilitador, o que conta aqui é a filosofia. Em um espaço de um mês, ele encara o problema, vê teoria, vai para a sala de aula motivado, porque sabe que tem esse desafio para resolver. Que pode ser um problema da vida real. E não só na sala de aula, mas em contato direto com a sociedade”, explica o professor Ronnie Rego.

Professor Ronnie Rego, da Divisão de Engenharia Mecânica do ITA

“O ITA sempre procurou definir suas atividades de Ensino em função de um modelo que em sua origem já adiantava alguns elementos das diretrizes curriculares recém-aprovadas, por exemplo pelo foco na aprendizagem baseada em experimentação, refletida na alta carga laboratorial. Mas não podemos ter a pretensão de afirmar que atuamos de forma independente de diretrizes que representam um entendimento amplo da formação de Engenharia, com participação de stakeholders e instituições que também têm o que ensinar ao ITA, através de suas experiências. É um caminho de mão dupla: precisamos das diretrizes para atualizar nosso modelo, e contribuiremos com futuras revisões destas diretrizes a partir do nosso modelo e de suas particularidades”, completa o Vice-Reitor.

O projeto do CCM será apresentado na Mostra Tecnológica do EEF 2019 – além de outros projetos do ITA que também dialogam com a prática PBL. Mas o EEF vai além, como explica o professor Carlos Henrique: “Não é justo destacar projetos específicos porque a Mostra também terá um espectro muito amplo, englobando todos os aspectos das novas diretrizes. Teremos estandes sobre metodologias ativas, inovação, iniciativas dos alunos, orientação educacional, pesquisa aplicada em várias áreas e trabalhos do ITA com outros institutos. De modo complementar ao Fórum, a Mostra, e também as competições previstas (Grand Prix, Competição em Ciência de Dados e Competição 3D) ilustrarão como muitos dos aspectos discutidos são traduzidos em ações efetivas de modernização, em uma sinergia virtuosa. E, como no caso do Fórum, também temos a expectativa de que estas ações ganhem ainda mais força ou se multipliquem em outras”, completa o chairman do EEF 2019.