Descubra o futuro no Laboratório de Bioengenharia do EEF

Algoritmos trabalhando no tratamento do câncer. Inteligência artificial projetando melhor qualidade de vida. A poesia nas imagens de microscópio. Estande do LABBIO vai apresentar soluções tecnológicas e pesquisas na área biomédica

O Laboratórios de Bioengenharia (LabBio) tem como objetivo principal buscar soluções para os problemas na área da Medicina Operacional e de Saúde Assistencial, valendo-se da vasta experiência no campo da pesquisa e tecnologia. Para tal, reúne as mentes em treinamento para resolver os problemas que esse mundo em transformação possa apresentar e professores e pesquisadores empenhados em guiar esses estudantes para além de possíveis fronteiras do pensamento. O resultado sempre perseguido é melhorar a qualidade de vida das pessoas. Esse é o perfil do LabBio do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, coordenado pelo Major-Brigadeiro Médico José Elias Matieli. Algumas das pesquisas que nasceram dessa comunhão de pensamentos e serão apresentadas na Mostra Tecnológica do Engineering Education for the Future – EEF 2019, que acontecerá no ITA nos dias 23, 24 e 25 de maio.

“Muitos alunos extremamente engajados em pensar questões macro, sociológicas, determinados em resolver os problemas de saúde procuram o Brigadeiro Matieli com ideias e projetos. Temos muitos alunos, inclusive, preocupados com o envelhecimento, buscam pesquisas sobre Alzheimer, demências. É muito bonito ver um jovem se preocupar com envelhecimento. Temos um aluno aqui desenvolvendo uma smart bed. Uma maca para melhorar a qualidade de quem está num hospital, com ajustes de temperatura, por exemplo. Esses alunos não estão pensando somente em si. Buscam melhorias para a humanidade”, conta a professora Priscila Fernandes, do Labbio.

Professora Priscila Fernandes, do Labbio

Com uma equipe multifacetada, o Labbio vai apresentar durante a Mostra as diversas conexões estabelecidas em seus projetos, os vínculos com os diversos atores da área de saúde, de hospitais a centros de pesquisa, por exemplo. “Na área médica, temos alguns projetos de pesquisa com outros docentes aqui do ITA, utilizando inteligência artificial em tratamentos de câncer baseados em algoritmos computacionais para escolha de melhores possibilidades de atendimento. Uma outra equipe tem feito um estudo sobre como que a radiação cósmica, a radiação ionizante atua em pilotos, em regiões específicas em que há uma aberração magnética e a incidência dessa radiação pode causar problemas cromossômicos, problemas vinculados a câncer inclusive, em pilotos. Esse é um projeto junto com o Instituto de Estudos Avançados (IEAV)”, explica Priscila.

Outro projeto de destaque do Laboratório é desenvolvido em parceria com o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, que identifica sinais de tomada de decisão com pilotos de helicóptero em situações de estresse ou emergência. Para coletar esses dados, uma grande equipe foi mobilizada para acompanhar panes reais de helicópteros, não apenas com simuladores. “E aí foi feito uma série de medidas, tanto comportamentais, estudos oculares, eletrodos. Queremos entender o que é esse momento e o que determina fisiologicamente a tomada de decisão. Esse estudo tem uma interface no treinamento de pilotos. Se a gente consegue modular esses sinais orgânicos ou compreender esses sinais orgânicos, podemos ter uma melhora nesse treinamento”, conta Priscila. Os resultados dessa pesquisa também poderão beneficiar outros profissionais que passam por situações regulares de estresse em longos períodos.

Junto a uma empresa de tecnologia, o Labbio desenvolve fixadores externos para fraturas graves ou má formação óssea que podem ser operados eletronicamente. Hoje, esses ajustes precisam ser manuais, apertando duas ou três vezes ao dia. Equipes de pesquisadores no laboratório e outras equipes na indústria estão trabalhando juntas para desenvolver esse produto. Ademais, segue a premissa das novas diretrizes homologadas pelo Ministério da Educação para os cursos de engenharia, que – entre seus itens – prega mais aproximação da academia com a indústria

Projeto desenvolvido pelo Labbio

Com o apoio da ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA), a professora Priscila Fernandes desenvolve um projeto de aproximação dos alunos de engenharia com a biologia básica, disciplina fundamental para o profissional que pretende trabalhar em centros de saúde ou startups de healthcare. “Para isso utilizo um projeto de microscopia ótica. Vamos captar e tratar essas imagens que os alunos vão produzir. E entender o que se pode aprender em biologia olhando essas células. Ou utilizar a microscopia ótica em outros problemas da engenharia, por exemplo”, conta a professora.

Outra pesquisa importante (que também será estará na Mostra do EEF) é coordenada pela professora Mônica Mitiko Matsumoto. A professora Mônica desenvolveu algoritmos de processamento de imagens e sinais, simulações e reconhecimento de padrões para imagens médicas, além de um sistema óptico e aplicativo para solução em teste de visão. “Com essa pesquisa, é possível identificar catarata em processos inferiores, tornando o tratamento mais barato. Esse é um lugar importante da tecnologia, da inovação: de desenvolver um produto para mudar a saúde das pessoas”, completa Priscila.

Professora Mônica Mitiko Matsumoto, do Laboratório de Bioengenharia

Uma revolução no tratamento de saúde impulsionada por pesquisadores e jovens engenheiros determinados a construir novas possibilidades de qualidade de vida. Um futuro onde os tratamentos poderão ser mais assertivos, centrados no problema individual – mas utilizando um gigantesco banco de dados universal, e, principalmente, mais baratos, facilitando o acesso para todos, não deixa de ser empolgante. A junção de vida com resolução de problemas parece, a cada dia, mais vital. “A criatividade é muito importante para o engenheiro. Não apenas a criatividade pragmática, mas ele precisa estar livre para fazer todas as conexões possíveis. Por isso, gosto mais da palavra invenção, que não está necessariamente vinculada a um problema imediato. Trazer a biologia para esses alunos pode alimentar a condição de invenção, a capacidade de produção”, conta, empolgada, professora Priscila.

Disposto a debater os rumos do ensino de engenharia no Brasil, o EEF 2019 quer, em todas as suas atividades, do fórum às competições, estabelecer ligações, junções, para alinhar a profissão com o futuro. E nenhuma disciplina é capaz de liderar o desenvolvimento de um país sozinha. “E os alunos sabem disso. Essa geração já compreende a complexidade do mundo. Não se resolve nenhum problema da vida real somente com uma disciplina. A gente precisa de conexões. Estamos aprendendo no durante. Que se organizem em iniciativas. Se existe um caminho para o ensino de engenharia é a abertura para o trabalho colaborativo. Uma feira como essas e ações de resoluções de problemas, como o Grand Prix, são estratégias de abertura, de diálogo, sem abrir mão do que se é”, diz a professora Priscila.

Os debates no Fórum, as competições no Grand Prix e do Data Science, as áreas conectadas na Mostra Tecnológica, olhar para o futuro e construir as pontes para se chegar nele é um dos resultados esperados pelo EEF 2019. “Esse evento tem uma enorme importância para os alunos, para os gestores, para os professores. É um trabalho colaborativo extremamente importante para que a gente se envolva, estando lá para dialogar, para conversar. E os alunos, pesquisadores que participarem, vão carregar essas ideias adiante. O que pode surgir disso pode ser muito maior ou muito diferente do que a gente imaginava”, finaliza Priscila. O futuro estará no EEF 2019. Do ensino em engenharia. Mas talvez não seja exagero dizer que também da vida, da saúde, da sociedade.