Por que um fórum de Engenharia?

Um mundo em constante mudança. O indivíduo, a tecnologia, tudo se transformando em velocidades cada vez maiores. E qual será o papel do engenheiro diante dessa realidade mutante, que já criou novos conceitos antes mesmo de se chegar ao fim desta frase? Como prezar pela excelência do ensino em Engenharia e acompanhar as evoluções do planeta, da sociedade? E, dentro desse cenário, formar não somente um grande profissional, mas principalmente, um cidadão? Muitas perguntas? Pois é exatamente isso que buscamos com o EEF 2019 – Engineering Education for the Future, que será realizado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, nos próximos dias 23, 24 e 25 de maio.

“O EEF quer fazer perguntas. E a academia precisa aprender a ouvir, para entender esses novos signos modernos e buscar respostas capazes de nortear o papel do Engenheiro como profissional nesses tempos de mudanças constantes”, conta João Seffrin, membro do ITAEx (Ex-Alunos Apoiando o ITA) e um dos coordenadores do evento. Para desenvolver essas perguntas, o EEF vai contar com profissionais nacionais e estrangeiros, especialistas do ITA e de outros centros acadêmicos, institutos de pesquisa e agências de fomento.

Engenharia e tecnologia sempre precisaram caminhar juntas – o desenvolvimento de uma ciência, necessita do apoio da outra. Mas será que os modelos de aprendizado escolar estão acompanhando essas evoluções no mesmo passo? O professor de Engenharia de hoje precisa enfrentar vários desafios. Aliar os princípios clássicos da Engenharia às inovações atuais. Ter capacidade de aproximar cada vez mais a teoria da prática. Conseguir extrapolar aplicações que não estavam, necessariamente, ligadas à atividade inicial – pensar alguns passos à frente. E, junto com todo esse malabarismo, conseguir despertar no aluno habilidades não ligadas à tecnologia, como a capacidade de estruturar e liderar um grupo, entender e desempenhar seu papel colaborativo em determinado projeto, definir estratégias e planejar ações. Em resumo: a formação do indivíduo.

Essas questões não atingem somente o Instituto Tecnológico de Aeronáutica ou apenas as escolas brasileiras – é uma busca mundial. Reino Unido e Austrália, por exemplo, sofrem com a evasão de jovens estudantes antes mesmo do segundo ano. Existe um plano, na Inglaterra, para acrescentar alguns pilares da Engenharia já no ensino médio, para que o estudante conheça um pouco mais sobre a profissão antes de ingressar na faculdade. Estudar engenharia é encontrar soluções práticas para problemas mundiais, de componentes para smartphones até mudanças climáticas, e apresentar esses conceitos o quanto antes para os jovens que querem mudar o futuro é um dos objetivos dos britânicos. Sabendo da urgência de encontrar esses caminhos também por aqui, o ITA levanta o debate no Brasil com o EEF 2019.  

“O papel do engenheiro é fundamental para o desenvolvimento econômico e, principalmente, social, do país. Precisamos buscar maneiras de conseguir indicar caminhos e ferramentas para que o profissional formado consiga transformar toda essa tecnologia e conhecimento em PIB”, completa Seffrin.

O professor de Engenharia está na linha frente desse novo mundo e sua atuação será fundamental para o desenvolvimento desse profissional importante na economia mundial. O orientador será responsável por aliar conhecimento, educação, inovação e ainda formar um indivíduo. Como realizar essa missão com excelência? Se pergunte e nos pergunte: perguntar! Olhar para o futuro e perguntar. A busca é o que move o EEF. A busca por idéias que possam se tornar iniciativas concretas. A busca pela excelência na educação do Engenheiro, seja em 2019, seja em 2030: o EEF é apenas o primeiro ato.